O blogue Rerum Natura tem o condão de me fazer arrepiar e levantar os cabelos, porque ou não se dão conta do que escrevem — desconhecem —, ou têm consciência do que escrevem, e é ainda pior.
Desde que o matemático Alfred Tarski conseguiu explicar, de uma forma simples e esclarecedora, em que consiste a concordância de um axioma com os factos [a verdade é objectiva!], que a degradação do conceito de “verdade” passou a ser um absurdo! Depois de Tarski, o relativismo do Rerum Natura passou a ser sinónimo de ignorância!

A propósito de axiomas matemáticos, aproveito o ensejo para dizer o seguinte:
Há meses, o professor Carlos Fiolhais criticou, no blogue Rerum Natura, a excessiva influência da matemática na física e na ciência em geral, e alegadamente em nome da “verificação dos factos” e segundo o método científico. Ora, atente-se a esta notícia:
"Today, Alan Turing is best known as the father of modern computer science, but in 1952 he sketched out a biological model in which two chemicals — an activator and an inhibitor — could interact to form the basis for everything from the color patterns of a butterfly’s wings to the black and white stripes of a zebra."
Baseando-se apenas em cálculos matemáticos, Alan Turing descobriu o modelo biológico em que dois químicos — um activador e um inibidor — se interagem para formar a base dos padrões de cores, desde as asas das borboletas até às riscas das zebras. E tudo isto muito antes de se descobrir a estrutura do ADN.

“Mas, onde ir buscar a convicção uma vez imposta a debilidade de princípios e a negação de finalidades educativas? Nesta dupla interrogação, como se justificam as escolhas e se determinem as acções de quem tem ou deveria ter o dever de educar?
Estamos numa situação de impasse: oscilamos entre uma tese e uma antítese sem vislumbre de síntese salvadora. Mas talvez ela exista, e talvez possa ser recuperada pela liberdade que os educadores têm de conduzir aos desígnios da liberdade aqueles que lhe estão confiados.
A tese defendida parece ser a seguinte: quando a verdade deixa de fazer sentido na cultura intelectual, a solução passa pelo voluntarismo individual do professor, ou seja, pela sua acção voluntarista [ética internalista] escorada na sua própria subjectividade.
Como alegadamente não há essa coisa a que se convencionou chamar de “verdade”, então damos a liberdade ao professor para ensinar segundo uma lógica internalista e voluntarista, em que aquilo que ensina obedece, em grande medida, às suas convicções pessoais. É isto que a tese supracitada defende.
Por último: a liberdade não é, de todo, “o acto que se cumpre segundo uma ideia”. Se assim fosse, todos os actos seriam livres; e não são.
A ideia tem que ser tendencialmente racional [aproximação da verdade], para que o acto seja livre: a procura da racionalidade é a condição sine qua non da liberdade. Neste sentido, podemos dizer que a liberdade limita-se a si própria quando se submete ao espartilho da razão. O homem age porque é livre, mas não é livre porque age. Por isso, não podemos dizer que qualquer desígnio resulta do exercício da liberdade (aconselho ao João Boavida a releitura de S. Tomás de Aquino).